sexta-feira, maio 31, 2013


Trago na pele a marca
de tudo quanto o coração abarca.

Trago na boca o gosto
do beijo, do sangue, do corte.

Trago na alma o norte,
na vida a morte, no olhar o brilho.

Na poesia a rima
e sobretudo a falta

dela.

sábado, setembro 29, 2007

A lua é tua nudez,
plenitude...
A lua é o que se fez
do que pude...

A lua é de nós três...
concretude.
Tua imagem outra vez.
nua: atitude.
Chove.
Cai
água sobre mim.
Vida sobre sal.

Chove.
Sai
quase tudo, enfim.
Vida sobressai.

sábado, julho 21, 2007

Do que fiz,

do que fui,

o que restou?

Cinzas de horas imortais...

Deste pouco, quase nada, que deixei...

O anel que tu não deste em mim quedou

Intacto

Impuro

Insano

E a fonte do meu ser em ti se esvai...

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Nos ganhamos um ao outro
como duas metades de uma bênção
como verso e reverso de uma história
como páginas da mesma memória

Nos perdemos um no outro
como cegos diantes do espelho
como boca diante de outra boca
como estrada que leva ao infinito

sábado, julho 22, 2006

Bênção

Eu te acompanhei semente,
testemunha de teus primeiros passos
Nesta longa e bonita trajetória.

Depois percebi que, adolescente,
enfrentavas os típicos dilemas,
página virada desta história.

E agora te vejo assim, maduro,
E abençôo a sua plenitude
Neste instante tão mágico e sublime.

Faço um brinde aqui a esta vitória
E acompanho sereno e contente
Este amor que aponta para o futuro.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Um dia, afinal, a loucura dirá a que veio,
chegando, mansamente, e tomando conta
do que nunca deixou de lhe pertencer...
Um haikai a essa hora???

A dor gritada
em poesia...
é menos dor?
Quando vem, é esse o gosto:
sangue, corte, solidão.

Quando vem, deixa-me exposto:
travo amargo deste "não".

Quem me dera, bela fera, pudesse eu estar
ausente de mim mesmo, imerso plenamente em ti

Quem me dera... Quem me dera...

segunda-feira, janeiro 02, 2006

De tudo que fiz
resta um retalho,
um caco de vidro,
cicatriz qualquer.

No canto da boca
resiste um sorriso,
amarga lembrança
de uma mulher...

De tudo o que quis
sou o espantalho,
sou a criança,
fui quem te quer...
Assim a tristeza se faz,
numa noite assaz
comum.

Assim a tua estrela jaz.
E onde tu estás
Mais um

Dia te aguarda.
Dia que não tarda,
Noite de toda canção.

sexta-feira, outubro 21, 2005

Relendo este
E o anterior
Percebo que me repito
Percebo que me repilo
Percebo que me repreendo

Fui sem ter sido.
Voltei sem ter ido.
Me repeti
Repeli
Repreendi

Me exauri de estar assim
vivendo
Trago o coração endurecido
Pela memória do que foi
Sem ter sido.

Trago as mãos calejadas,
Exaustas do peso de carregar
O quase nada.

Trago o rosto fechado
O corpo fechado
E a alma exangue

Até quando?

domingo, fevereiro 20, 2005

Trago em meu peito
fragmentos vários
das mil poesias que iniciei por ti.

Tanta poesia que foi sem ter sido...

Seja assim o nosso amor:
Eternamente iniciado,
jamais concluído

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

Sentir? sem ti...
Vazio no peito,
Sorriso desfeito,
Olhar vazio.

Sentir? sem ti...
Tempo estanque,
Tristeza Punk,
Calor no frio.

Sentir?...senti.

E ainda sinto...

sábado, janeiro 15, 2005

De agora em agora
Nada mais ficou
Tudo foi embora
De agora em agora

De agora em agora
Já não sei quem sou
Paz que apavora
De agora em agora

De agora em agora
De agora em diante
De frente pra trás
Infinito instante

domingo, outubro 31, 2004

Venha assim
Para mim
Do teu jeito

Venha, sim,
Para mim...
No meu leito

Vem sem fim
Que te espera
Meu peito

sábado, outubro 02, 2004

O certo é a carne.
Viva a carne!
Ainda que minh´alma fique assim:
Em carne viva...

O certo é o corpo.
Viva o corpo!
Ainda que minh´alma fique assim:
Dilacerada...

O certo é o sexo.
Viva o sexo!
Ainda que minh´alma fique assim:
Aquém de tudo...

domingo, setembro 26, 2004

Tempo
Tempo-Rei...
Areia a escorrer por entre meus dedos
Ensina-me, ó tempo, teus segredos...

Tempo
Tempo-Rei...
Murmúrios a escorrer por entre meus medos
Afasta-me, ó tempo, dos teus brinquedos...

Tempo
Tempo-Rei...
Saudade a escorrer por entre meus dias
Do tempo, e da atenção, que me darias...

quinta-feira, setembro 16, 2004

Dorme, anjo meu, dorme
Que a vida lá fora anda triste
Que a vida lá fora anda nua
E teus olhos não são para este mundo

Dorme, anjo meu, dorme
Que a vida la fora inexiste
Que a vida la fora continua
E teu sono se faz já tão profundo

Dorme, anjo meu, dorme
Que te velo daqui, agora e sempre
Guardião do teu sono e teu repouso
E do amor que transcende toda rima